Quarta-feira, Maio 05, 2004

Ainda a TSF

Isto era para ser um comentário ao texto do Bruno mas virou post.

A situação que o Bruno descreve também me chocou um pouco. Como é óbvio, não está em causa a interrupção da transmissão do jogo propriamente dita: está em causa o motivo da interrupção, o vazio que se estava a noticiar.

Mas, infelizmente, a desorientação editorial não é um exclusivo da TSF (se bem que, pessoalmente, no caso da TSF me doa um pouco mais). Ontem, a partir do meio da tarde, rádios e televisões reproduziram até a náusea pouco mais do que o vazio, o nada. O essencial da notícia poderia ter sido dado em 2 minutos e, no entanto, não fora o jogo do Porto e a noite de ontem seria transformada num mesquinho e incomensurável folhetim de banalidades e rodopios sobre algo definitivamente pequeno e circunscrito.

No caso da TSF, pior que a interrupção de que o Bruno fala foram as quase duas horas de emissão contínua dedicada ao assunto, com repetição exaustiva das mesmas ideias, das mesmas declarações, dos mesmos intervenientes, fazendo uma cobertura minuciosa do inócuo e do risível (e aí vem o carro a sair do portão, vai uma mulher agarrada ao vidro, tudo a postos na rua de Carlos Cruz, vem Serra Lopes a conduzir e Sá Fernandes na pendura, a esposa de Carlos Cruz está à janela, há polícias sinaleiros junto ao cruzamento da rua de Carlos Cruz, Carlos Cruz vem engravatado e de fato engomado, o carro de Carlos Cruz vem a uma média de 80 km, o carro de Carlos Cruz guina para a direita e entra na garagem), maratona essa que termina em beleza com um directo para dentro do carro onde viajava Carlos Cruz, chegando ao ponto do jornalista pedir ao advogado do homem para perguntar ao Carlos Cruz se este já poderia marcar um dia para conceder uma entrevista à rádio.